sexta-feira, 11 de março de 2011

idiossincrasias a preencher








El_ tem sido como um grão de areia na vaselina.



quinta-feira, 10 de março de 2011

Estados pré-parentais



- Estou?
- ...
- Olá! Então?
- ...
- Oh! A sério? Mas.. está tudo bem?
- ...
- Pois... com o meu é a mesma coisa. Coitadinho, passou o dia no sofá... não sei que lhe faça.
- ...
- Não diz nada, sempre cabisbaixo... até mete pena só de olhar.
- ...
- É como o meu... eu bem puxo por ele, mas nada.
- ...
- Amanhã levo-o ao veterinário.




sexta-feira, 4 de março de 2011

Espectativas




Hoje vai ser o dia... hoje é o dia!
Limpei a casa, lavei o chão, pus o nosso colchão no chão, fiz a cama de lavado, comprei velas... aquelas do cheiro... Tratei do jantar: o seu preferido! A nossa sobremesa, o seu vinho favorito... até fui buscar os copos grandes. Tudo em cima da mesa sobre uma toalha nova. Escolhi as músicas uma a uma, pensadas para a cadência da noite e escolhidas por serem todas nossas. Preparei as fotos, embrulhei a prenda e apaguei as luzes enquanto espero...

hoje não há nada para celebrar, mas hoje é o dia... hoje vai ser o dia!

Acho que não me esqueci de nada...



- Querido, desculpa, hoje não poder ir. Beijo.



quinta-feira, 3 de março de 2011

O extremista






A minha tristeza é a pior das tristezas e
nenhuma outra se compara a ela.

É o meu amor o mais intenso dos amores,
o incomparável dos sentires e
o melhor do que todas as coisas.
O meu amor, é o maior do mundo.

A minha dor,
por ela própria,
sozinha,
faz ferida e sangue e dor.
A minha dor é a mais dolorosa de todas as dores.

E a minha alegria,
quando acorda e aparece,
é aquela que transborda o mundo,
a que sai de mim e
toca de bom o sentir ao ouvi-la.
É o meu sorriso o mais alegre dos sorrisos.

Mas a minha crueldade sem medida,
destroi o mais puro dos corações.
Pela minha raiva cruel,
o mundo cai,
transforma-se e sofre.
É o poder da minha crueldade
que me mata numa frase:

"A minha tristeza é o meu amor, a minha dor e a minha alegria".
Até que eu morra!
(ou renasça)



quarta-feira, 2 de março de 2011

viagem do regresso




Encosto de cabeça e "há dias em que o mesmo caminho de todos os dias, demora mais do que nos outros dias".
Outro botão porque "está mais frio".
Caminho que custa "quando se deseja o mundo, até o mundo é pouco".
Um carro no meio dos carros: "hoje só desejo um carro"...
uma cara no meio das caras: "hoje só desejo uma cara"...
Os olhos no chão dos chãos e "Lisboa não tem nada para mim".
A cabeça no chão dos chãos e  "Lisboa não é uma mulher, é um fedelho cigano que pede e desaparece".
Mais um andar: "...só uma cara...".
Mais um passo: "...o mundo...".




- Olá.



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Palavras





- Decepou-me a respiração!, reiterou a criada.
A chuva continuava a recrudescer sobre a efígie estóica da sentinela.
Perscrutei os presentes.



domingo, 27 de fevereiro de 2011

Falta! De? Sanidade!




(estava tão bem na minha casca...)

- Olha, se fossemos cavalos em qual apostavas?
- Não sei, mas aos 30 peço-te em casamento!
- Estás mais magra. Deixei-te sopa e um bife.
- Não percebes que não se muda porque se deseja... no entanto é preciso desejar para mudar.
- Comprei-te crepes... Ah e depois dá-me a tua chave que eu chego mais cedo.
- Vemo-nos antes amanhã   (hoje bailamos?).
- Claramente não entendeste.
- Pois se calhar não...
- Eu apostava no que relinchasse menos.

(procura a tua casca!
cola a casca!
onde está a minha casca!
cola a casca! cola a casca! cola a casca! cola-te a casca! cola-te casca!)


sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Segredo







Em dias chave
Sei que eu vou andar a pé.
E a cada passo
o meu momento é mais longe,
quase que foge
p'lo caminho que é.
Ninguém sabe
que eu não moro cá
e ainda trago um sonho torto.

Se o dia chove
sei o que eu vou andar a pé.
E com tempestade,
cada passo é mais longe,
demora-se o mundo,
esconde-se a fé.
Ninguém sabe
que eu não moro cá,
mas onde eu faço o meu amor,
Num abrigo bom,
p'ra meu suborno.
A ideia que mais me mente
é um acaso,
coincide se é um atraso,
e eu apanho-lhe o tom.
Ela bem sabe
que eu já moro lá
e assim me estraga o meu amor.

Ainda chove,
sei que eu vou andar a pé.
Mas se o dia se abre,
esqueço o denso do dom,
entrego-me ao som
dormente...
Ninguém sabe
que eu não moro cá...




sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

nãoplano







Uma falha no planeamento é um plano para o fracasso.




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estima Consideração



Ao, som, do teu, tom...
Ao, tom, da tua, batida...
À, batida, do teu, ritmo,
e,
à tua vontade...
Acate-se à tua, cadência...
Ao teu, movimento,
e,
ao teu desejo...

Cumpra-se a desintensidade do seu compasso,
Respeite-se a irregularidade do seu sentir,
Venere-se o desagradável recito.

Mé...           chhhh...

Mó...                        vhhhh...

- T E .

l 

                             e

             n


   t    

                        a:

Destróis pela calma matando a sofreguidão boa do querer na tua imposta cadência da ausência de ritmo...
até que eu morra.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

pobres dos carros





- Eu já vi inclusive, uma que estava ali no Pingo-Doce sentada no chão, com um copo e uma criança pequenina, coitadinha, e não é que chega um Mercedes faz sinal e ela entra?!
- Uma vez vez também estava quase a dar a uma quando foi entregar o saco a um homem. Eu disse-lhe logo, "sou velha mas não sustento chulos"!
- Eu uma vez em Fátima estava um que coxeava das pernas, coitadinho, e depois o padre quando estava lá diz, "ninguém dá nada a esse homem! Ele veio pelas suas próprias pernas!" e foram para trás dele e disseram, "levanta-te e vai!" e não que ele vinha num BM e andava sozinho!?




terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

calma...




- Aqui me tem! Toda, inteira, de repente e num só trago.
- ...
- Está a ouvir o que lhe digo!? Aqui me tem!!! Despojada de um passado, sem futuro... presente... aqui me tem... Aqui me tem! Nua, literalmente nua e ainda despida, mais ainda despida... aqui me tem... entrego-me sem mais. Sou tua!
- ...vem com calma...




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

segunda feira



- Tenho meia hora para amar. Nem mais, nem menos.
- Então é melhor dizeres que vais chegar atrasada.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

busca



Branco silêncio que não chegas: Tréguas à minha alma: Vontade que não passas, sonho que não te ausentas, solidão que te apoquentas.
Irrequieto interior este que não sabes, sonhos estes que nem sonhas: vontade imprópria de resistir a mim e partir e me apresentar: novo.