Cá dentro, não somos nada sem os outros e por isso, somos o que dizem.
Não somos o que dizemos, somos o que ouvem de nós.
Deixamos que sejamos os outros, somos a interpretação dos outros pelos outros.
Não somos o que escrevemos, somos o que lêem de nós.
E eu, sou quem me dizem ser, enquanto me importar ser quem os outros dizem.
Sou-o, até me importar ser o que os outros dizem eu ser, para então ser eu, por mim.
E tu, és quem te dizem seres, até te importares seres quem os outros dizem.
Até te importares que sejas o que os outros dizem seres, para seres tu, por ti.
Eu, sou o que me lêem, o que me imaginam, o que me escrevem e o que me dizem que sou.
Mas sou-o, porque me importam os outros... sou-o, só porque o dizem.
E volto a sê-lo só mais desta vez:
Obrigado a ti... que me leste
