Que eu, não quero !
Mantenho-me antes assim,
Existo,
existindo na constante ideia,
imposta subliminarmente pela vivência até então,
ou mesmo por criação própria,
que o sentimento vence tudo!
Vivo nesta ideia de ilusão.
Existo na ilusão desta ideia,
no egoístico cenário onde a única coisa que importa é o sentir.
como criança ingénua e inconsciente do mundo,
ainda acredito nas despedidas nas estações de comboio de beijos sentidos e prolongados,
como se do último se tratasse e,
fosse obrigado a absorver a memória do tacto e do sentir.
querer e necessitar de guardar tudo.
Se falar pode estar sobrevalorizado,
a partilha do sentir estará subvalorizada:
"Guardas-me o chapéu? Voltarei para o vir buscar..." (e para te ver...).
com uma maior recusa de que assim não seja,
de que fora disto não possa ser!,
com a maior das convicções de que ou é assim ou não quero!,
ainda vivo influenciado pelas películas a preto e branco.
Ainda imagino como verdadeiras as monocromáticas despedidas finais:
despedindo-se apenas pelo olhar,
em grande tristeza do outro,
com todo o orgulho próprio de um magnífico preto e branco de poucas palavras,
antes do genérico e do final,
se ouvir uma corrida de saltos altos que diz
quatro lágrimas de quatro olhos;
um masculino abraço sentido;
um beijo de duas cores e o feminino encolher de uma perna:
música em forma de sonho,
um triste suspiro sentido para quem vê.
um triste suspiro sentido para quem lê,
um triste suspiro sentido para quem escreve,
The End