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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Lé máiónése



Andas na vida como andas no mundo: em pontas e na maionese. A cair, de onda em onda, de relevé plié em plié relevé, até te afogares.
Há um ano, vendias-te! pela queixa da não mudança não agradecida, numa incompreensão que se força em não mudar.
Hoje, jantas tomate e vinho com bananas e chocolate... mas na maionese de ontem.








quarta-feira, 4 de maio de 2011

contragosto não há argumentos






Poderá andar-se metido num amor a contragosto? Claro que sim. Um amor a contragosto é um amor em relação ao qual o sujeito que o sofre sabe/palpita que está numa perspectiva catastrófica e que, em princípio, nada pode fazer para evitar a catástrofe, que esta o espera no fim de tudo e se prepara para o mastigar sem contemplações, reduzindo-o a cisco. «Reconquista-me!», diz o objecto desse amor a contragosto, entre mostrando-se e furtando-se logo de seguida. E o sofrente do amor a contragosto compraz-se (afinal com imenso gosto!) em esfalfar-se e em arruinar-se nessa descida aos inferninhos do amor infeliz.

Como se chega - e para quê - a uma situação destas? Por muitos caminhos e para muitos fins. Mas o que importa aqui dizer é que o amor a contragosto não é um amor partilhado. O sofrente nunca é igual a quem lhe inflige o sofrimento. É mais. Mais sentimento, mais tormento. «Mas que figurões!», dirão as rãs que, na circunstância, sempre se juntam para fazer coro. É que eles - o sofrente e o que faz sofrer - não sabem que estão, na sua luta (assalto e defesa), a dar-se em espectáculo aos que, de fora e ainda por cima isentos, assistem a essa terrível devoração afectiva. De um amor a contragosto dificilmente se sai. É como um vício arraigado, é como um redemoinho que puxa irresistivelmente para baixo. Talvez a única maneira, como ensinam certos nadadores experimentados em águas traiçoeiras, seja o sofrente deixar-se ir até ao fundo e aí, com um golpe rápido de braços e de pernas, sair do medonho vórtice. Então, poderá voltar à superfície, nadar para terra, sentar-se na areia e dizer: - Olha do que eu me safei! - O mundo recobrará cor e significado. Quem estiver na situação de sofrente, metido num amor a contragosto, pode treinar este processo de salvação. A Caparica não é longe.


in "Uma coisa em forma de assim", de Alexandre O'Neill



terça-feira, 15 de março de 2011

Falta de Apetite





- Vives en el mundo del hambre de la auto ayuda, de la fantasía de los quesos frescos, del inestable gourmet y de los spas imaginarios. Vives en el mundo del vaso de vino tinto, del basmati y de las tostadas de queso con tomate y orégano. Vives en el mundo Zen del chocolate de la ira interior, de las ensaladas vitaminadas junto al mar y de la pseudo pasión alimentada. Vives en el mundo de los pescado y mariscos, de las cosas solo buenas y todas con vista panorámica. Vives en el mundo de los libros que no ayudan, en una teoría culinaria de gusto mediocre y en la loucura de las especias. Vives en el mundo de la ceguera de los postres de ego gigante, de los petit gâteau del desprecio, de la canela loca y de las tazas egoístas de chocolate. Vives en el mundo inseguro de los croissants, de la seducción felina de la falta de sal y de la danza con poca azúcar.
Pero no lo tomes a mal, que me ENCANTA todo eso, es solo que tengo una ligera pérdida de apetito ...


sábado, 5 de fevereiro de 2011

repetição


O teu pior inimigo és tu.
É o teu músculo que a ti te cansa... é o teu nervo que te atraiçoa... é a tua própria impaciência do teu ser que a ti te enraivece, e no fim, são os teus próprios golpes que te ferem e que a ti te matam.