quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

volta




Existe uma insegurança em mim que não controlo. Uma vontade maior de tudo para que seja minha, mas à minha imagem.
Um desejo absurdo de que se torne Ofélia que se tornou... que se entranhou.
Hoje,
é só esquecimento: a vontade perfeita de ser novamente.




segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

demasiado


Quando duas pessoas pensam a mesma coisa,

há uma que não pensa




.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

(sem titulo)




Existe, a meu ver, uma expectativa na esperança de dimensões erradas.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O primeiro macaco



...e o meu primo ligou-me por causa daquela coisa da fruta. Eu disse-lhe que estava à vontade... Não achas que fiz bem?
Sim.
Esta sopa está ótima. Olha, o Pedro telefonou. Diz que passa lá amanhã para ir buscar as coisas dele. Pode ser?
Sim.
oratoroeuarolhadagarrafaderumdoreidarússia, não achas?
Sim.



sábado, 5 de fevereiro de 2011

repetição


O teu pior inimigo és tu.
É o teu músculo que a ti te cansa... é o teu nervo que te atraiçoa... é a tua própria impaciência do teu ser que a ti te enraivece, e no fim, são os teus próprios golpes que te ferem e que a ti te matam.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

press

:

A pressão sai com acetona



domingo, 30 de janeiro de 2011

drive by



Focando a vista, concentrando-se para debater contra o sono, sem se aperceber, atira o carro contras as guias sonoras. Ela, acordando, pergunta:
"Estás com sono?"
"Estou"
"Não é melhor telefonares a alguém?"

sábado, 29 de janeiro de 2011

saudade



saudades de ser gostado de uma certa maneira.
saudades de um certo tipo de sentimento.
não de pessoas,
não do tempo

(que não o troco por nada)

não de nada mas de apenas de um certo tipo de gostar que já foi.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

vulca...~ a d ....o



aPETECE-ME PEGAR-TE COM FORÇA PELOS CABELOS E GRITAR-TE AOS OUVIDOS... eSPALMAR-TE A CARA ENQUANTO COLO A MINHA E BERRAR-TE A MINHA RAIVA. mOSTRAR-TE O MEU LATEJAR PARA QUE ME VEJAS ENQUANTO AVERMELHO. qUERO PEGAR-TE NOS BRAÇOS, ABANAR-TE DURANTE HORAS E EM TODAS AS DIRECÇÕES ENQUANTO CONTINUO A GRITAR O IMPERCEPTÍVEL, PARA QUANDO ME CANSAR, TE ATIRAR, NUA E SEM REACÇÃO, PARA CIMA DA CAMA DESFEITA, RESPIRAR FUNDO, MOLHAR OS LÁBIOS SECOS COM ESTA LÍNGUA, OLHAR-TE NOS OLHOS INCRÉDULOS, E COM TODA A TERNURA PERGUNTAR-TE,

-Estás bem?


domingo, 9 de janeiro de 2011

Pressão



Todos os sistemas em pressão precisam de uma válvula para o aliviar. Tem de haver uma maneira de reduzir o stress, a tensão, antes que se torne demasiado elevada para se suportar. Tem de haver uma maneira de aliviar a pressão, porque se a pressão não encontra um caminho, então constrói um. E explode. É a pressão que colocamos a nós mesmos a mais difícil de suportar. A pressão de sermos melhores do que já somos. A pressão de sermos melhores do que pensamos que somos. Nunca alivia. Apenas se acumula, acumula e acumula.

Quando dizemos coisas como, “as pessoas não mudam”, contrariamos os cientistas, porque a mudança, é literalmente a única constante em toda a ciência. Energia. Matéria. Estão sempre a alterar-se, a mudar de forma, a fundir-se, a crescer, a morrer. É a forma como as pessoas tentam não mudar que não é natural. A forma como nos agarramos a como as coisas foram, em vez de deixarmos que as coisas sejam o que são. A forma como nos agarramos a velhas memórias em vez de construir novas. A forma como insistimos em acreditar, apesar de todos os indícios científicos, que nada nesta vida é permanente. A mudança é constante. Como experienciamos a mudança é connosco. Podemos senti-la como a morte, ou como uma segunda oportunidade na vida. Se abrirmos os dedos, folgarmos os punhos, deixarmo-nos ir, relaxarmos, pode saber a pura adrenalina. Em qualquer momento podemos ter outra oportunidade na vida. Em qualquer momento, podemos voltar a nascer.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Morte por acordeão


Morri pela música e já não sei escrever.
Para onde olhas?! Pelo que procuras!?
Eu!... Aqui!...
Eu, sem música
(é certo...)
sem sorriso,
(bem sei...)
sem verdade,
sem saber que me sobra para ter que morrer assim: o tenebroso som do teu olhar.
Que a morte me merece, mas não assim que ainda me mata mais pensar de ver passado em ti: seca-se-me a garganta, falha-se-me o ar e o teus olhos imperiais de rainha de copas, impõem-se-me e ordenam-me:

                          morte por acordeon!



sábado, 4 de dezembro de 2010

Pilar, José e o Amor


O estereótipo de há cinquenta anos rezava: “Casaram-se e foram felizes para sempre.” O estereótipo contemporâneo preconiza: “Casamento, pantufas, aborrecimentos.” Um estereótipo não é melhor, nem mais inteligente, do que o outro – a ideia de que os casamentos estão condenados ao tédio só parece mais brilhante do que aquela que toma a felicidade como um dado adquirido porque o pessimismo dá sempre uns fumos de ilustração aos seus praticantes: quem futura em negativo passa facilmente por lustroso cérebro, porque há sempre um desastre ao virar da esquina – e muito mais mirones para o desastre do que para a alegria. As relações nascem muitas vezes mortas por falta de fé – falta-nos amor por esse amor que é como uma espécie de terceira entidade gerada pela atracção entre dois seres e que precisa de ser estimado como milagre concreto.
(…)
Aprende-se a amar caindo, falhando, errando muitas e muitas vezes. Até ao momento em que ficamos prontos para ser felizes para sempre. Há é pouca gente para dar por isso.

Inês Pedrosa
in Revista Única

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quanto custa?



Custa acordar a pensar: Custa pensar em como gostar depois de GOSTAR e por isso, custa a andar. Custa a andar quando andar é deambular. Custa atravessar a cidade olhando o chão, olhando o frio a sair da boca e custa ver tudo isto, sem realmente ver nada: Custa não saber. Custa ficar de pé num metro a ouvir o silêncio porque o que custa, é recordar agora que o que ouvia, era o silêncio e custa admitir que perdi o tempo e o espaço e segui sem sair. Custa que as portas se fechem e não me aperceba que fecham. Custa voltar atrás quando se está atrasado. Custa almoçar a trabalhar ao som da mais maravilhosa música e quase que custa não me aperceber que me levantei enquanto falavam para mim. Custa que não me custe os olhos que me seguem incrédulos por me levantar, porque não percebem que não os ouço, e isso, custa-me. Custou-me quando me dirigi ao sotaque francês e perguntei que maravilha estava a ouvir. Custa sorrir ao sourire só para responder de igual forma ao sorriso. Custaria ouvir o propriétaire dizer que isto, não se ouve, não se compra, nem se vê em mais lado nenhum... custaria! Não fosse eu teimoso e procurasse até ao fim do mundo (que isso já não me custa) por uma música assim. Mas custa-me que a única razão de uma música assim ser assim, ser para querer oferecer uma música assim... Custa-me que me levante, que deixe de ouvir e de ver, que deixe de tudo, porque num sopro de vontade e esperança, quis que ouvisse o que ouvia. Custa-me que queira partilhar assim e custa-me um bocadinho muito mais só porque a música já acabou. Mas aquilo que mais custa, é ter a noção do quanto custa e, talvez por isso, custar ainda mais... custar tanto como receber, no dia que custa muito, novidades que não são novidades, mas que custam. E quanto custa tudo isto? Custa muito...








PARTE 2