sexta-feira, 24 de abril de 2009

Do deaf squizofrenic hear imaginary people?

Para nós, a amizade é imaginária.
Palavra curiosa, imaginária... Um adulto racional dir-nos ia que imaginária é uma coisa que não existe. Fruto da nossa imaginação. Que embora estranhamente derive de algo que existe, da imaginação, ela por si não existe.
Mesmo assim mantemos: A amizade é imaginária!
Porque é isso mesmo, algo que não existe. Está na nossa cabeça. E de vez em quando esquecemo-nos e outras vezes lembramo-nos e ainda outras já não nos lembramos por isso inventamos. Mas atenção, não a imaginamos, ela própria é que é imaginária. É-o antes de ser. Passa directamente ao estado final... imaginado.
Já os amigos não são imaginários. Longe disso.
E nós somos o quê?
Perdão mas vocês são a excepção à regra. Se bem que quem estabeleceu as regras fomos nós por isso, digo eu, esta regra só se aplica para os outros.
Não espero que percebam mas os amigos, ao contrário da amizade, não são imaginários, excepto os que o são mesmo.

hoje consegui (pela primeira vez?) baralhá-los a eles.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Hoje pedi o meu cão em casamento

Ficou de me dar uma resposta dentro em breve.
Estou farto de pessoas, estou farto de dar, estou farto de esperar, estou farto de ouvir parvoíces, estou farto de ignorância e acima de tudo estou, justificadamente farto disto tudo, porque estou farto.
Gosto muito do meu cão por isso quero viver com ele para sempre.
O meu cão gosta sempre de mim. Quando falo para ele não me canso e quando ele fala para mim é porque quer brincar. Ou então quer comer. Ou então quer passear a bexiga. Ou então apetece-lhe... Seja como fôr, não interessa porque eu e o meu cão damo-nos às mil maravilhas, por isso, hoje pedi-o em casamento. Espero que aceite.
Eu e o meu cão temos uma relação sexual activa. Ele lambe os genitais e depois lambe-me a cara...
Hoje pedi o meu cão em casamento mas depois lembrei-me que não tenho cão. Pelo menos um real, ainda assim, espero que aceite.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O João tinha uma bola

Eu tinha uma bola. Tinha, porque já não a tenho.
Era a melhor bola do mundo e só eu é que a via. Era uma bola especial. Não tinha cor nem tinha marca, não era de couro nem era redonda. Era a melhor bola do mundo e acho que a perdi. Era daquelas que já não se fazem.
Uma vez a minha bola disse-me que eu era o melhor jogador do mundo e eu pensei, naquele momento, que a minha vida era perfeita. Só eu e a minha bola. A melhor bola do mundo na cabeça do melhor jogador do mundo.
E depois perdi a minha bola e a minha bola perdeu-me a mim.
Tenho saudades da minha bola...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Os palhaços também choram?

É verdade!
A sério que é!
Nós sabemos porque hoje vimos um. E não era um palhaço triste, daqueles que por serem tristes podem chorar à vontade, não, era um palhaço alegre mas que chorava.
Aposto que ninguém sabe que os palhaços também choram.
Temos amigos palhaços e eles nunca estão tristes quanto mais chorar...
Os palhaços servem para fazer as crianças, e alguns adultos, a sorrir e há deles que até os conseguem fazer mesmo rir. E choram? Devemos ter visto mal. Se calhar era alguém disfarçado de palhaço. Devia ser isso!
Os palhaços não choram, fazem rir, por isso, era alguém disfarçado de palhaço a pensar que, se fosse um palhaço, também ele não choraria.
Por momentos assustámo-nos e quase que, por instantes, num acto irreflectido de loucura, íamos fazer figuras tristes e telefonar ao nosso amigo palhaço, pensando que, imagine-se lá, ele poderia estar triste.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Juro-o para ti

Jurei a mim próprio que nunca escreveria sobre ti.
Jurei a mim próprio que nunca escreveria sobre... coisas, que todos ao mesmo tempo compreendessem, por isso, vou escrevê-las incompreensíveis para os outros, para ti seria impossível.
Jurei a mim próprio que nunca escreveria sobre ti porque mais ninguém poderia ler sobre ti. Só nós. Por isso, jurámos guardar, para nós, as conversas em segredo de todos, e de ti.
Juro que um dia aprendo a passar a ferro só para te passar qualquer coisa.
Juro nunca mais plantar um pessegueiro e juro nunca mais ouvir Rui Veloso, mas não prometo.
Não prometo nunca mais escrever sobre ti, nem prometo nunca mais comer bolo de iogurte.
Prometemos sim, que não faremos ponto cruz mas ainda não sabemos se prometamos ou se juremos nunca mais ir a Tavira. O melhor é prometer porque isso, eu não juro.
Prometo que um dia te levo ao circo.
Não juro não tornar a comer melão mas juro que comerei, pelo menos, mais uma fartura.
Juro e prometo que passarei mais um fim de ano.
E releio tudo isto, faço figas, e juro-o novamente.
Juro-o!
E juro-o embora nunca tenha conseguido guardar promessas de mim próprio. Juro-o, para ti.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Então hoje está por aqui ?

Sabe bem voltar a casa no final do dia!
Presumo que saiba ainda melhor dar graças por ter uma casa, mas depois iria entrar pelo sabe ainda melhor estar vivo e por aí adiante, por isso, fiquemo-nos apenas por, sabe bem chegar a casa no final do dia!
Melhor do que voltar no fim do dia é irmos andando e voltarmos apenas quando apetece, mas talvez saiba bem apenas porque sentimos que existe uma casa há nossa espera, com pessoas lá dentro.

Para algumas pessoas mais ou menos nómadas como nós, existem pequenas coisas que nos indicam qual é a altura de mudar de sítio.
Quando a pessoa que nos serve o café todos os dias nos pergunta pela nossa Páscoa e partilha connosco a dela, quando certos funcionários de certos locais já desejam os bons dias, boas tardes ou boas noites, quando reparamos nas mudanças de turnos e dizemos então hoje está por aqui, quando somos dos primeiros a estacionar e dos últimos a sair ou quando ouvimos queixas da maria dos outros na casa dos outros então temos claramente razões para zarpar. É sinal de que estamos à um bocadinho tempo demais no mesmo sítio e portanto, se calhar, já era altura de sair daqui.
Até porque pior do que um povo nómada solitário, só mesmo um sedentário solitário.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

An Imaginary Life



"You can search, everywhere for answers.
Sometimes, is hard to ask the question.
I know I'm a figment of a small child's imagination, living an imaginary life.
And I'm OK with that. Really.
You see, these aren't the questions I need to ask.
These aren't the answers I need to know.

'Is... Andrew happy?' "


I will never leave you...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

NowyWarszawa - Cap4 - Crepes para terminar

Já o tinha falado antes com quem o acompanhava, mais uns dias e começaria a ser perigoso estar ali. Reforça esse pensamento com o aproximar do final do dia, do final da companhia, do final da viagem, do final das despedidas. Ao contrário da dele, esta despedida tinha tempo para tudo e embora não fosse a dele sentia que podia calmamente desfrutar dos últimos momentos com calma.
Com o aproximar da inevitável separação resolveram entrar numa casa laranja. Três crepes com chocolate e gelado de baunilha e um de banana e chocolate. Parecia ser a combinação perfeita para um qualquer até breve. Estava ali só para observar, saborear e certificar-se que ninguém ficava para trás. Foi sempre essa a sua missão pessoal e sempre o foi com um sorriso sincero estampado no rosto. Primeiro abraço e já é tarde demais, as raízes já estão na terra. Já tem raízes que não o deixam apenas saborear e observar e agora também ele precisa que não o deixem ficar para trás. Tarde de mais.
Restantes abraços e as raízes afundam-se ainda mais, há um mundo só deles em cada um, um mundo que se alheia de tudo à volta e esquece que existe mais do que aquele abraço e aperta mais forte. Abre os olhos por breves momentos e repara que naquela casa laranja já ninguém come, já ninguém fala nem ninguém desvia o olhar daquele cenário, ninguém faz sequer um esforço em disfarçar o olhar fixo neles. As caras que os observam já não mastigam, olham apenas admiradas.
Acabaram-se os abraços. Acabaram-se as despedida e ficam os crepes para terminar entre eles. A Narradora, como sempre no meio, instiga um último soluço, provocado por um último abraço e seca a fonte. Já está. Só faltava regressar.
Só faltava pegar em 70Kg de malas de regressar mas nem por isso queria teleportar-te para o destino. Queria saborear uma última vez a companhia e continuar sem dormir mais um dia e visitar mais um aeroporto e fazer novamente malas e visitar outro aeroporto e brincar ás discussões e falar já só sobre o efeito da cafeína até ser mandado calar e não dormir e regressar e despedir-se de forma banal para regressar como chegou. De comboio e com um sorriso na cara.


The village sleeps again.

terça-feira, 31 de março de 2009

NowyWarszawa - Cap3 - Poznań

Sai como chegou. Pela estação.
As dúvidas estão praticamente desfeitas assim como a sensação de precipitação. Sente-se bem porque sente que é realmente um post scriptum, uma conclusão que apesar de não ser necessária ali, era obrigatoriamente necessária. Mais uma vez, como em toda a viagem, sabe que aqui, continua a não estar sozinho.
Para eles as despedidas estão feitas, mas lembra-se que uma despedida é sempre uma despedida. Quando é uma que não se quer, aí, não interessa que seja por umas horas, semanas, meses ou muito menos anos, custa sempre e nesse momento, não há solução. Custa, ponto e a eles não estava a custar mais do que uma despedida normal.
Agora é a vez da Narradora interromper a narração e não ter palavras. As lágrimas já não são as dele, embora ainda lá estejam escondidas e é por isso mesmo e nesse instante, que sabe que atingiu o tempo máximo. O tempo máximo de voltar e voltar novamente. O tempo limite que uma árvore tem, para formar pequenas raízes num vaso e se pegar à terra.
Enquanto abria uma janela e observava, mais uma vez uma despedida, sentia as raízes a formarem-se. Sorria em frente para quem estava do outro lado. À sua direita olhava para A Narradora nos braços de um dos comboios que a veio buscar e ficava sério, engolia em seco e olhava novamente para fora da janela e sorria mais uma vez. Subitamente, pensou haver algo de estranho nesta despedida, algo o estava a inquietar mas tão depressa como o pensou deixou-o de pensar, simplesmente por não fazer sentido.
Duas horas e muito de caminho para recuperar folgo, secar lágrimas, falar falar falar, passar a risos e repetir tudo desde o primeiro falar, até chegar.
Novo destino: Poznań. Outro Wrocław mas a três. Completamente diferente, pensava. E ainda bem. Já está!
Mais uma estação, igual a muitas outras mas muito diferente. Mais calma, mais alegre, embora escura. Diferente e melhor, sentia.
Ao aproximarem-se da saída um grito. Chipirooooon! Claro! Afinal havia mesmo algo de estranho na despedida. As pessoas, faltavam pessoas. Mas já não faltam. Estão todas aqui e não consegue fazer mais, ou menos, do que sorrir, porque a verdade é que está contente. Congelou num sorriso mas podia ter congelado, como elas, num espanto. Um espanto por pensar se será mesmo verdade, embora o saiba que é, mas que não o é possível espantar.
Mudança de planos. Não haverá noite calma nem haverá descanso, ainda não. Não consegue deixar de pensar o quão fantásticas são as pessoas que conheceu e naquilo que acabaram de fazer.
Tram no sentido contrário. Bus no sentido certo. Baixa da cidade. Ah, By the way, Hostel. Mais uma noite em conjunto, mais uma despedida antes do dia, depois mais um dia e mais um sorriso de horas e mais horas em que as raízes estão perigosamente perto da terra. Por agora, não pensa nisso.

segunda-feira, 30 de março de 2009

NowyWarszawa - Cap2 - Nova Varsóvia (part2)

Na nova Varsóvia por se deitar tarde não se levanta mais tarde, mas mesmo assim os cartoons estão fechados. Na faculdade de Belas Artes da nova Varsóvia há quadros pelo chão, desde a entrada até ao telhado. Na nova Varsóvia as fotos são a 3D e os bolos da rua fantasma são gigantes, mas fazem mal ao humor da Narradora. O mau humor na nova Varsóvia só dura 10min. Na nova Varsóvia há sereias que habitam junto de pontes que se desligam quando a atravessamos. Na nova Varsóvia há uma nova Old Town com um Metal bar e novos amigos. O quarto jantar na nova Varsóvia é quase de graça e é acompanhado com Vodka e se se pergunta o que é, responde-nos um porco. Na nova Varsóvia a discoteca mais pequena tem 17 m², a dona chama-se Magda e está fechada. Em substituição existe uma disco gay que faz as delícias de qualquer hetero. Tomba Tomba na pista... Tomba Tomba no jacuzzi... Tomba Tomba no bar... Tomba Tomba no varão.
Na nova Varsóvia, pela manhã, há mentes brilhantes que te acompanham e sugerem ir molhar o pé ao Wisła, há mentes mais ou menos brilhantes que sugerem cair no calçadão e há mentes novamente brilhantes que sugerem tomar o pequeno almoço numa taça de muesli com frutas que mexem, enquanto decorre a maratona da primavera.
Um sonho! pensava ele enquanto dormia apenas duas horas.
A nova Varsóvia é um musical do Michael Jackson, Thriller - Live. O quinto jantar da nova Varsóvia é internacional e nesse dia descansa-se um pouco pela primeira vez.
Na nova Varsóvia há cemitérios judeus e as malas demoram mais de um dia a fazer. As malas levam roupa de meses mas que nunca foram vestidas, roupas que são desdobradas só para serem observadas pela primeira vez em meses e logo dobradas para viajarem. As ruas da nova Varsóvia têm 30 folhas de papel a pedir para à Narradora para não sair do país. Na última festa da nova Varsóvia por um preço fixo, bebe-se o que se quiser, assina-se uma bandeira, vira-se o barco e vai-se dormir.
Esta é a nova Varsóvia...

sexta-feira, 27 de março de 2009

NowyWarszawa - Cap2 - Nova Varsóvia (part1)

Já o sabia, porque já o tinha experienciado. Até tinha tentado não alterar esse hábito, mas mesmo assim estava espantado com a sua capacidade de resistência ao sono. A mente não quer e o corpo aceita e se a mente não quer porque o corpo deixa. E sabe que os próximos dias serão assim, enquanto o corpo deixar e a mente quiser, ninguém dorme nem ninguém pára.
Consciente de que o tempo, desta vez, está contado, entrega-se ao plano da Narradora. A Narradora tinha um plano e nesse plano não havia nenhuma referência a dormir nem tão pouco a parar. Esse plano tinha um nome: NowyWarszawa. Era um plano alternativo, inimaginável e fantástico que iria ficar registado para sempre. Embora ainda não o soubesse ou sequer suspeitasse, a nova Varsóvia em nada substituía a antiga, mas, talvez por ser nova ou por ter sido posterior, era muito melhor que a anterior.
A nova Varsóvia tinha um café nas nuvens, com nome de hotel, onde se bebem cappuccinos. Na nova Varsóvia o primeiro jantar é num palácio e a noite celebra-se num Park.
Park. Nome que escutou todas as semanas no passado, mas que nunca tinha sido mais do que um nome. Como tudo nesta viagem e neste plano, o que apenas tinha um nome agora iria ter uma imagem. E esta tinha mais do que uma imagem, tinha várias. As imagens de quem não sabia do seu plano, do seu post scriptum e por isso, ficaram registadas pela surpresa da sua presença. Pelos gritos embriagados do seu nome num Park intransitável de gente, pelos abraços, pesados mas calorosos de saudades, num Park que de oxigénio tem pouco.
Na nova Varsóvia há palácios e as cervejas de dia são quentes e à noite são frias. As festas são tricolores e à escolha: verde, amarelo ou vermelho. Na nova Varsóvia A Narradora tem mel e existe uma abelha preta.
Mas a nova Varsóvia também se junta à antiga, junta-se naquilo que para ele é antigo mas para que para quem o acompanha é novo. No seu trajecto ex-diário nada mudou e revê-o apenas com um sorriso na cara, mas para A Narradora, é um submundo escondido, dentro da nossa própria casa. E sabe-lhe bem, também ele, ter algo para partilhar. Na nova Varsóvia existe uma cidade dentro da própria cidade, uma zona, para ele nova, com nome de capital, onde a nova Varsóvia começou. Tudo começou por esta zona, onde nas melhores vistas dormem vagabundos, por serem pessoas de alto conhecimento dos melhores recantos das cidades e as igrejas católicas viram ortodoxas. Nesta zona, as estátuas cantam e tocam e dançam e acima de tudo, divertem. E muito. Nesta zona, as poetizas são de bronze. Na nova Varsóvia o terceiro jantar não são Tortillas. Na Opera da nova Varsóvia espera-se duas horas para entrar e nesta Opera para além de se ouvir e dançar tocam-se tambores. Na nova Varsóvia a noite não acaba quando sol nasce, acaba quando se acaba de puxar o Luzztro ao escuro, onde já de dia, o ar não se respira, empurra-se para dentro de tão denso que é e ao som de 150 batidas por minuto. Na nova Varsóvia o pequeno almoço toma-se antes de deitar. Na nova Varsóvia o pequeno almoço é um maravilhoso arroz de frango.

quarta-feira, 25 de março de 2009

NowyWarszawa - Cap1 - A Narradora

A estação está agora vazia. Procura mas não encontra ninguém. Procura mas só vê o que já conhece. Mas por pouco tempo, pois ao longe encontra um dos motivos do regresso. A Narradora. Podia ser qualquer coisa, ou tudo o resto, mas neste momento, para ele, ela é a inventora da narração, a contadora de histórias de todo o tipo, com ou sem palavras, é simplesmente, A Narradora.
Ainda está tão agitado que não consegue desfrutar do reencontro, só consegue pensar, e se... e meio nesse pensamento meio na realidade, repara na cidade em redor. Está novamente onde já esteve e pensou que não voltaria num futuro tão próximo. Onde fechou um capítulo para abrir outro mas precipitadamente resolveu fazer um post scritpum antes de o abrir. Estavam curiosos antes de partir e continua curioso. Mas mais uma vez não está só pois descobre que partilha a curiosidade.
É tempo de descansar. Ou seria se conseguissem. O corpo diz-lhe que a altura para descansar já passou, como que se de um ciclo se tratasse e se não houver descanso na altura correcta de um ciclo, paciência, há que esperar pelo ciclo seguinte. Esperemos então. Conversemos.

NowyWarszawa - Cap1 - O Pianista

The village awakes...

Aterrou e subitamente preocupava-se com a ausência de preocupações. Estava tudo demasiado normal e isso, não o tinha previsto. Mas lembrou-se que também não tinha previsto o contrário, não tinha previsto nada.
A viagem estava longe de terminar, por isso, deslocou-se no escuro da noite já conhecida e até agora estranhamente normal. Não estava só, e naquele momento, era algo que o confortava e o ajudava a passar, o que agora achava precipitado, mas outrora não o tinha sido. Longe disso.
O cenário mudava mais uma vez e embora não acreditasse, mas admitisse a sua existência, ficou espantado com a sorte, destino ou simplesmente acaso da nova companhia. O pianista. O pianista que falava como eles, com eles, para eles e com ele próprio. Um pianista que tinha pouco de músico e muito de artista, que tinha partido para o Peru e voltado mais músico, um pianista que trocou, a droga e o álcool, pelo piano e a levitação e agora viajava com eles. O pianista contava histórias que os faziam rir mas que por respeito não o faziam. O pianista dizia que tinha adormecido e sonhado que não se podia mexer, dizia que era a alma dele que vagueava... O pianista falava de coisas que ele próprio só tinha descoberto à pouco e isso fê-lo esquecer a precipitação e relembra-lo que existem coincidências, embora não acreditasse nelas. O tempo estava alegremente a correr e três horas tinham voado.
Tempo de parar o tempo, na última hora do pequeno primeiro capítulo e tentar dormir a primeira hora de viagem.
O calor quase insuportável, mas destinado, supostamente ao conforto, não os deixa dormir. O pianista dorme agora, de alma serena e sem levitar.
Altura de sair e reatar uma antiga realidade. Na mesma tudo normal. De repente, um aperto no coração, um injectar de adrenalina em doses fora do normal. A carteira ficou no comboio! Deixa tudo no chão e corre sem pensar no meio de uma estação parada à espera que algo aconteça a olhar meia indiferente meia surpreendida por alguém correr tanto e tão preocupadamente no meio dela. Escadas inteiras tornam-se pequenos degraus e escadas rolantes tornam-se passadeiras. O comboio ainda está parado mas assim que o avista ouve um som tenebroso, o apito a assinalar que o comboio pode andar que tudo está bem para começar a viagem. Mas não está, por isso pede ao dono do apito que se encontra ao longe, na linguagem mais universal que conhece, a gestual, como quem pede um desconto de tempo a meio de um jogo, para esperar e sem aguardar confirmação, entra. Não reconhece a carruagem e depressa se apercebe que é por não ser a correcta. Salta. Sai, novamente a gesticular para o apito, agora mais perto e entra na carruagem seguinte. Apesar das 20h de viagem, praticamente sem descanso, concentra-se para se recordar da cabine correcta. Acerta à segunda mas já está ocupada por alguém que já dorme, aparentemente confortável. Novo aperto no coração. Não encontra nada. A sensação de que o comboio já se encontra em movimento é constante mas o mais importante de tudo é a sua carteira. Todo o dinheiro, os cartões, a identificação, a sensação de não poder sair daquele país até ter uma nova, o dinheiro, os cartões, os talões, as recordações. Tudo. E de repente, como que acabada de ser colocada por alguém naquele mesmo instante, ali está ela. Em cima do banco onde já a tinha procurado antes, onde à uns minutos atrás tinha descansado os pés. Serena, à vista de todos, em cima de um banco.
Sai a voar, banhado em suor e ainda agitado, mas desta vez, numa agitação de alívio. Repara que está a tremer quando sobe a mão para agradecer ao apito, agora já junto dele. Mil e um agradecimentos e um afagar nas costas chegam. O apito, sem expressar qualquer emoção, acena com a cabeça e novamente apita e o comboio segue e também ele segue, agora calmamente, até às malas que ficaram no chão da estação...

terça-feira, 24 de março de 2009

Venho já...


Hoje ficam todos calados a ouvir. Hoje mando eu!

Preciso de ti! Preciso de ti só mais uma vez... pelo menos. Eu juro que é desta! Só mais esta e deixo-te em paz.
Só mais um copo (ou dois), só mais um pouco de cinzento que o teu branco já lá vai, mas aceito o que tiveres.
Não quero mais sol, não quero mais solidão, não quero mais calor.
Só nós os dois e o mundo.
Cura-me !

Até já Varsóvia.